Questão de Opinião - Paulo Correa sobre as queimadas nos quintais

Por Paulo Côrrea




Este texto é um apelo às autoridades e a quem puder ouvir. Este ano vai entrando para a história como o ano mais quente dos últimos 120 mil anos. Crianças e outras pessoas lotam emergências com problemas respiratórios, gripe, crises de rinite, alergias, bronquite e bronquiolite, etc.

E com tudo isso, todos os dias umas quantas pessoas juntam folhas e outros materiais e colocam fogo, poluindo todo o bairro para (na sua cabeça) deixar seu quintal limpo. A fumaça toma conta de nossos quintais, salas e quartos, e pessoas como eu que tenho rinite e meu filho de 3 meses que está com início de bronquite retrocedemos em nossa melhora, gastando com remédios para tentar melhorar enquanto segue essa prática tão desumana - sim, desumana, pois ignora a saúde, as emergências lotadas.

E também criminosa: fere o direito a um ambiente saudável, constitucional e assinalado pela ONU. Na carta magna, o art. 225 descreve: “o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”, cabendo ao Poder Público, entre outras coisas:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

Aqui no Pará, vivemos já o contexto da COP a ser realizada em Belém em 2025, mas vemos o quão distante essa consciência está de nossa realidade.
Governador, prefeitos, vereadores, secretários, juízes, promotores, associações, Igrejas...Quem pode nos socorrer? Quem está ajudando a mudar essas práticas pela educação, fiscalização, multas, coleta organizada? Que iniciativas se propõe?

Em Maracanã, reconheço os esforços da secretaria de meio ambiente que saiu para a rua distribuindo panfletos para denúncias e conversando sobre a importância de destinar corretamente o lixo, a importância de não queimar, etc. Mas as pessoas se fazem de surdas, e a fiscalização ainda está longe de ser a ideal.

Mesmo com seus limites, é um avanço, mas é também como uma voz que clama no deserto da inconsciência, falta de educação e normalização de crimes ambientais e contra os direitos humanos.
Dizer que isso faz parte da “cultura” dos lugares é da mesma ordem de querer voltar a morar em cavernas, comer carne crua, achar que mulheres são propriedades dos homens e que a terra é plana! Precisamos rever comportamentos que são danosos, nefastos, contraprodutivos e irresponsáveis.

Mas quem se responsabiliza?

Quem vai tomar essa bandeira?

(imagem da internet)

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