5 escritores paraenses que você precisa ler

Por Blog da Editora Pará.grafo


Girotto Brito







A literatura paraense possui nomes grandiosos que, embora pouco conhecidos nas regiões sul e sudeste do país, são capazes de nos arrepiar durante a leitura. Eu poderia indicar mais de uma dezena de ótimos escritores parauaras, mas vou listar apenas 5, que certamente vão lhe proporcionar muuuuita coisa boa para ler em 2018. Vamos lá!



1. Dalcídio Jurandir





Nascido na cidade de Ponta de Pedras, Ilha do Marajó, em 1909, Dalcídio escreveu um conjunto de 11 romances, dos quais 10 formam o chamado Ciclo do Extremo Norte -- uma série literária que conta a saga de um menino marajoara chamado Alfredo, que sonhava fugir da pequena Vila de Cachoeira para completar seus estudos na cidade grande. A série inicia com o livro Chove nos campos de Cachoeira e finaliza em Ribanceira. 

Dalcídio é considerado o maior romancista da Amazônia e recebeu vários prêmios nacionalmente importante como o Prêmio Dom Casmurro com o romance Chove nos campos de Cachoeira, Prêmio Paula Brito e Prêmio Luiz Cláudio de Souza com o romance Belém do Grão-Pará, e o Prêmio Machado de Assis, da ABL - Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.

Sua literatura é marcante e poética, retratando de forma genial o cotidiano e costumes dos povos ribeirinhos da Amazônia.

A maioria dos seus livros estão esgotados por falta de reedição (o que é triste), mas é possível garimpar em sebos como o Estante Virtual ou outros do país e encontrar as principais obras. O livro Ponte do Galo pode ser encontra em livrarias e sebos de Belém, e também na Livraria Virtual da Pará.grafo Editora. E os livros Três casas e um rio & Os habitantes poderão ser reeditados em breve através de uma Campanha de financiamento coletivo que acontece no site Catarse até o dia 31 de janeiro e visa arrecadar fundos para resgatar essas duas importantes obras.



2. Jacques Flores



Jornalista, funcionário burocrático da polícia civil e principalmente poeta de excepcional senso de humor no domínio da poesia, Jaques Flores (como gostava de ser conhecido o cidadão Luiz Teixeira Gomes, nascido em 1898) em Belém viveu a vida toda que terminou a 12 de dezembro de 1962. Precocemente órfão de pai, aos 15 anos de idade, saiu dos bancos escolares do Primário direto a uma oficina gráfica – e o convívio com livros que imprimia despertou nele o escritor e jornalista. O tipógrafo fez nascer o poeta.

Muitos de seus trabalhos permanecem espalhados pelas páginas de jornais e revistas, para os quais colaborou também sob outro pseudônimo que usava, “Zé Paraense”, desandando ferinas críticas sobre tudo e todos, particularmente contra os escândalos públicos.
Ocupou cadeira na Academia Paraense de Letras a partir de 1946. Embora casado e com seis filhos, nunca deixou de ser boêmio, a ingênua boemia de então. 

Publicou Berimbau e Gaita (Poesia humorística. Belém, 1925); Cuia Pitinga (Poesia, 1936); Vespasiano Ramos (Ensaio, 1942); Panela de Barro (1947); e Obras Escolhidas de Jaques Flores (Belém, CEJUP, 1993).

Sua literatura é cheia de humor e sarcasmo. Sem dúvida um autor excepcional!



3. Lindanor Celina



Nasceu em Castanhal-PA, mas, como ela mesmo afirmava, abriu os olhos para o mundo no município de Bragança. Ao ser transferida para Belém, obteve a primeira colocação no concurso nacional promovido pela Aliança Francesa, instituição da qual era aluna. O tema do teste foi a estação de sua preferência. "Eu não conhecia o outono, mas tinha uma paixão por essa estação porque havia lido o Verlaine, eu já cronicava desde 1954, no jornal Folha do Norte, e este concurso foi em 1957". O prêmio foi uma viagem a Paris, onde mais tarde viveria, com os três filhos para criar e separada. Na Folha, escreveu muitos anos na coluna "Minarete". Conviveu com vários jornalistas, poetas e escritores da cidade, mas quem acreditou no trabalho dela foi Machado Coelho, autor da orelha do romance Breve Sempre, em seguida Dalcídio Jurandir e depois o filósofo Benedito Nunes.

No ano de 1963, publicou seu primeiro livro, o romance Menina que vem de Itaiara. Foi citada como romancista de costumes pelo crítico Afrânio Coutinho, em virtude das "cenas e situações do livro que mostram a boa observação da autora". O Estado de S. Paulo escolhe o romance como "o livro do semestre", marco inicial de uma fecunda trajetória literária, abrindo caminho para Estrada de tempo-foi, Breve sempre, Pranto por Dalcídio Jurandir, A viajante e seus Espantos, Diário da Ilha e Eram seis assinalados.

Lindanor foi uma romancista de primeira linha e deixou obras muito ricas e gostosas de se ler. Seus livros hoje só podem ser encontrados em sebos por falta de novas reedições.



4. Antonio Tavernard



"Grandes homens suportam grandes dores, os maiores transformam a dor em poesia". Benilton Cruz



É este o caso de Antônio Tavernard, o mais moço dos poetas paraenses, e que não merece ser taxado de “exilado” ou de “mártir” como se reportou Vicente Salles. A alegria em sua poesia supera a dor de ter sofrido, em toda a sua juventude, do mal de Hansen, doença que o vitimou aos 28 anos de idade. Sua poesia contorna toda essa tragédia para transparecer luminosa e alegre, como a dos grandes poetas que fizeram da juventude o seu entusiasmo. É por isso que eu defendo Antônio Tavernard como o poeta de um entusiasmo vital, aquele que faz da poesia uma condutora da humanidade.



Nasceu no dia 10 de outubro de 1908, no mês do Círio de Nazaré e por isso foi batizado com o nome de Antônio de Nazareth Frazão Tavernard. Seu talento para a literatura se revelara quando obtém o segundo lugar no concurso de Contos Nacionais da Revista Primeira. A influência para a literatura vem diretamente de seu pai, leitor de Eça de Queirós, Alexandre Herculano, Machado de Assis, Álvares de Azevedo, dentre outros autores da pequena, mas criteriosa biblioteca.

Foi jornalista, dramaturgo e compositor, além de poeta lírico. Também foi um dos redatores da revista A Semana, uma das mais importantes a circular em Belém na década de 1930.


Principais obras:

Prosa

Fêmea

• Os Sacrificados (está desaparecido e nem mesmo seus parentes sabem onde estão os originais)

Poesia

• Sonetos de Tavernar (Org. Alfredo Garcia) - É possível encontrar em livrarias de Belém-PA

• 1953: Místicos e Bárbaros (publicado postumamente)

Teatro

• A Casa da viúva Costa

• A Menina dos 20 mil

• Seringadela


5. Maria Lúcia Medeiros



Nasceu e morou em Bragança até os doze anos, quando se mudou para Belém do Pará. Licenciou-se em Letras pela Universidade Federal do Pará (UFPA), onde foi professora e pesquisadora. Estreou na ficção com o livro de contos Zeus ou a menina e os óculos (1988). Depois publicou Velas, por quem? (1990), Quarto de Hora (1994), Horizonte Silencioso (2000) e Céu Caótico (2005).

Um de seus contos, "Chuvas e Trovoadas", foi adaptado para o cinema em um curta da paraense Flávia Alfinito. Neste conto de Maria Lúcia Medeiros, quatro meninas têm aulas de costura nas tardes entediantes que se arrastam nos trópicos da belle époque na Amazônia.

Acometida de uma enfermidade que lhe reduziu os movimentos e lhe tirou a fala, mas não a lucidez e o domínio da palavra, continuou produzindo e mantendo intenso diálogo com seus pares e seus contemporâneos.

Sua escrita lembra um pouco Clarice Lispector, mas com toques próprios e característicos de criatividade que surpreendem o leitor. Vale muito a pena.

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