A árvore centenária foi encontrada em meio à mata nativa por um morador da comunidade de Itamaraju, no extremo sul do estado. É uma gigante de raízes extensas e 40 metros de altura.


Por Jornal Nacional







Botânicos registram maior exemplar de Pau-Brasil na Bahia


Botânicos registraram na Bahia o maior exemplar conhecido da árvore que dá nome ao Brasil.

Uma hora de caminhada em meio à mata nativa em um assentamento rural em Itamaraju, extremo sul da Bahia. O esforço é recompensado por uma raridade, um pau-brasil centenário. Raízes extensas e uma altura de 40 metros. Esse gigante foi descoberto por um morador da comunidade.

"Eu vi a copa, na copa, eu digo: eu vou ver que pau madeira era aquele, aí subi. Quando cheguei lá, era ele. Eu olhei e disse: ‘Esse é pau-brasil’”, conta o agricultor Manoel de Jesus.

Os assentados chamaram o botânico paulista Ricardo Cardim, que dois anos atrás catalogou na mesma área um outro pau-brasil com uma circunferência de 4,6 metros. O recém-descoberto é ainda maior: 7,13 metros. Três pessoas não conseguem abraçar nem metade do tronco.

"Para ele chegar àquele tamanho, eu estimei 600 anos. As árvores antigas, elas são que nem nós, elas ficam com rugas, verrugas, elas demonstram sinais do tempo no seu tronco, nas suas raízes. Eu diria que, se fosse um ser humano, é um ser humano de 98 anos, quase cem anos por aí", explica Ricardo Cardim.

Para chegar a essas dimensões gigantescas, uma árvore de pau-brasil precisa de condições ambientais muito específicas. Ela necessita de sombra para crescer tanto em altura quanto em circunferência, e isso só é possível em áreas de mata fechada, com a presença de outras árvores também de grande porte. Como hoje só restam 12% da mata atlântica original em todo o país - o restante foi desmatado - a descoberta dessa árvore merece ser comemorada.

O pau-brasil ainda é encontrado na área litorânea entre os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte. Apesar de ser um símbolo do país, desde 2004 está na lista das espécies ameaçadas de extinção. Durante séculos, foi extraída para fabricação de corantes de roupas. Hoje, tem outra utilidade.

"A fama dele é para ser utilizada para fazer arco de violino, principalmente. Apenas 20 a 30% dele é utilizada. A maior parte perde, para fazer arco de violino", afirma o botânico Erivaldo Queiroz.

Agora, a preocupação é com a preservação. "É um tesouro que a Mata Atlântica soube esconder muito bem e que talvez agora, que a gente já sabe da importância maior da floresta, chegou a hora de ela aparecer e a gente protegê-la e valorizá-la como um bem único", diz Ricardo Cardim.

No que depender de seu Manoel, as futuras gerações vão poder conhecer essa maravilha: "Lá ninguém mexe. Deixa lá preservada para muitos anos. Às vezes, tem outras pessoas mais novas que querem conhecer, está lá."