Expectativa é que o turismo doméstico cresça no Estado para as festas, compensando os prejuízos causados pela pandemia nos últimos meses

Autor: Pryscila Soares


Estabelecimentos esperam repetir movimentação nos municípios igual ao mês de julho | Celso Rodrigues/ Arquivo
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Para muitos paraenses é tradição celebrar as festas de final de ano nos principais balneários do Pará, a exemplo de Salinas, Mosqueiro, Marudá e Bragança. Nesse período que antecede as datas festivas, normalmente, há um aumento da procura pelos meios de hospedagem, que já começam a receber os pedidos e efetuar as reservas. Para o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Pará (SHRBS), o setor foi um dos mais prejudicados nos últimos meses pela pandemia da covid-19 e a expectativa é de que haja uma melhora no movimento em dezembro.

Com a pandemia, muitos empreendimentos tiveram de fechar suas portas ou paralisar as atividades, tanto na capital quando no interior. De acordo com Fernando Soares, assessor jurídico do Sindicato, a entidade trabalha para fazer um levantamento desse panorama atual. Mesmo com o aumento da procura pelos meios de hospedagem para o final de ano, a pandemia traz a incerteza de como efetivamente será o funcionamento do setor nesta época. “Algumas cidades balneárias do interior têm realizado reservas para o final do ano. Porém, o sindicato não descarta a possibilidade de haver mais próximo às datas festivas algum tipo de decreto que delimita a quantidade de hóspedes nesses locais como ocorreu em julho, em Salinas”, pontuou Soares.

“Para poder entrar no município (Salinópolis) você tinha de ter a comprovação da reserva, ou voucher, sendo que os meios de hospedagem trabalharam com apenas 50% da capacidade. Existem reservas sim. Mas não podemos dizer ainda o quanto e se esse percentual é bom ou ruim. Vai depender se vai haver ou não algum tipo de decreto. Se não houver, a tendência é que haja uma boa procura. Se houver delimitação, a procura vai ser evidentemente a metade do que seria”, comentou o assessor jurídico.

PROTOCOLOS

Fernando Soares destacou ainda que os estabelecimentos são orientados a dar cumprimento aos protocolos de segurança sanitária determinados pelo poder público estadual e municipais por meio de decretos. Eles passaram a funcionar com limitação de pessoas por quarto, com a obrigatoriedade do uso máscara e da disponibilidade de álcool em gel, além de redobrar os cuidados com a limpeza dos ambientes. “Não acreditamos que vamos ter a mesma quantidade de pessoas, o mesmo ganho e lucro dos anos anteriores. Em relação aos outros meses desse ano, certamente o final de ano seria um movimento melhor. Mas em relação aos anos anteriores, vai ficar entre 30% a 40% do movimento”, ressaltou Soares.

Embora a pandemia do novo coronavírus não tenha terminado, alguns empreendimentos de hospedagem já estão com as reservas para o final de ano esgotadas ou próximo disso. É o caso do Hotel Solar, situado na orla do Maçarico, em Salinópolis, fundado há 47 anos. O estabelecimento possui 63 apartamentos e todos já estão reservados, conforme informou a atendente Kaline Alves. “A maioria já é cliente, mas estamos com muitos clientes novos, devido termos uma estrutura nova, acesso próprio à praia. Tudo isso foi atrativo”, explicou.

No Hotel-Fazenda Paraíso, em Mosqueiro, restavam até ontem (24) somente duas acomodações vagas, no estabelecimento que possui no total 54 acomodações, entre apartamentos e chalés. Segundo a proprietária Ana Paula Fernandes, as reservas começaram a ser efetuadas na segunda quinzena de agosto. Houve algumas desistências, mas logo o estabelecimento conseguiu ocupar as vagas. “Muita gente não está viajando para fora, aí a procura foi maior. Esse ano lotou mais rápido que o ano passado. O turismo local, nesse exato momento, está crescendo. A procura está sendo boa até em finais de semana comuns. A gente trabalha com protocolos nos espaços, restaurantes, mantendo o distanciamento, na piscina diminuímos o número de mesas, no café da manhã colocamos mesas para fora do salão. Damos luvas para os clientes e os funcionários usam máscaras e luvas”, informou Ana.

No Guarimã Hostel e Turismo, inaugurado em outubro deste ano, em pleno período de pandemia, a sócia-proprietária Letícia Freitas disse que a rede de clientes está sendo construída e que a procura e pré-reservas para o réveillon estão a pleno vapor. “Foi um ato de coragem e muita vontade de fazer um sonho se realizar. Bragança abriu em julho para o turismo, na praia e na cidade o movimento foi muito bom. Nosso movimento está bom, mas poderia estar melhor se não fosse a pandemia. A gente está divulgando bastante as opções de lazer da cidade para incentivar as pessoas a virem para Bragança. É obrigatório o uso de máscara, fazemos limpeza frequente. Nos quartos compartilhados evitamos hospedar várias pessoas”, garantiu Letícia.