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Vacina vai evitar câncer em meninas


Vacina vai evitar câncer em meninas (Foto: Pablo Almeida/Arquivo)
( Foto: Pablo Almeida/Arquivo)
                                                                                           
A cada ano, 270 mil mulheres no mundo morrem por conta de câncer no colo do útero. No Brasil, 5.160 mulheres morreram em 2011 em decorrência da doença. Dessas 254 eram do Pará. O Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 17.540 novos casos no país este ano.

O câncer é a terceira causa de morte no Pará, atrás apenas das doenças cardiovasculares. O câncer no colo do útero é o mais incidente entre as mulheres no Estado, com a estimativa de 810 casos, sendo 21 a cada 100 mil mulheres. Só em Belém, serão, até este ano, 250 casos, sendo 34 a cada 100 mil mulheres. Os dados foram publicados pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) em novembro de 2011, por ocasião das estimativas para 2012 e 2013.

Para reduzir essas estatísticas o Ministério da Saúde vai imunizar meninas entre 11 e 12 anos em todo o país contra o papilomavírus (HPV), com vacina usada na prevenção de câncer de colo do útero. No total 168.635 meninas nessa faixa etária serão beneficiadas gratuitamente no Pará a partir do próximo ano. A meta é atingir 80% do público-alvo, estimado em 3,3 milhões no Brasil. Serão investidos R$ 360,7 milhões na aquisição de 12 milhões de doses.

Luiz Levy, médico da Casa Saúde da Mulher vinculada à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Cervical, diz que a decisão do Ministério da Saúde é acima de tudo uma vitória da classe médica que sempre lutou para que a vacina contra o HPV fosse incluída no calendário de vacinação. “O ideal é que todos os homens e mulheres a partir dessa faixa etária fossem imunizados, mas o Ministério decidiu nessa primeira etapa privilegiar as meninas entre 11 e 12 anos, quando há maior produção de anticorpos, dando mais eficácia à vacina”, coloca.

Ele diz que o anúncio feito pelo Ministro da Saúde é recente e ainda não há como estabelecer qualquer calendário de vacinação em Belém ou no Estado. “Muitas cidades como Manaus, Salvador e Rio de Janeiro já fazem a vacinação por iniciativa do município, mas tudo depende de cada prefeito”, coloca. Por enquanto, quem quiser se vacinar terá que arcar do próprio bolso: as três doses da vacina custam R$ 960,00 em clínicas particulares.

A melhor maneira de prevenir o câncer do colo de útero causado pelo HPV é o uso do preservativo e o diagnóstico precoce por meio do exame preventivo (PCCU). Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais rápido e simples será o tratamento. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), os exames preventivos devem ser disponibilizados pela atenção básica, nos municípios.

ATENÇÃO

Elizabeth Mendes, ginecologista e especialista em sexualidade, explica que o HPV é o principal fator de câncer de colo de útero. “Existem 150 sorotipos de HPV com incidência em mais de 50% da população sexualmente ativa. O grande problema é que quem tem o vírus não se apercebe e só se dá conta na ocasião do preventivo ou quando começam a aparecer lesões precursoras, como verrugas”, detalha.

A médica explica que a única maneira de prevenção é a vacina. “Mesmo com o preservativo há chance de contágio, bastando que o parceiro tenha o vírus no saco escrotal e a parceira uma mínima fissura na vulva, por exemplo”. 

Além do câncer genital e anal, o HPV pode provocar a doença na traqueia, laringe, boca e lábios. Pode inclusive passar pela placenta e contaminar o feto, ocasionando mais tarde o papiloma (câncer) de laringe adquirido ainda no útero.

Ela explica que quanto mais precocemente a vacina for aplicada, mas eficaz ela se torna. “Por isso é tão importante que as meninas fiquem imunizadas antes do início da sua vida sexual e principalmente é porque nas mulheres jovens onde o vírus mais se estabelece. Mesmo as que já possuem o vírus devem se vacinar. Isso facilita uma reação imunológica ajudando o vírus a se tornar menos prevalente e ao organismo a reagir melhor à doença”, detalha.

Municípios têm que fazer diagnóstico e prevenção

Em termos de prevenção, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) apoia as ações da Rede Paraense de Controle ao Câncer (RPCC), coordenada pelo médico Antenor Madeira, do Hospital Ophir Loyola, e que conta com diversos parceiros, incluindo órgãos públicos e entidades do Terceiro Setor (ONGs), para implantar ações educativas que ajudem a transformar os hábitos da população paraense, em busca de uma melhor qualidade de vida.

A RPCC está criando Núcleos de Voluntariado em todos os municípios paraenses para divulgar os fatores de risco, os sintomas, a importância do diagnóstico precoce e as formas de tratamento do câncer.
A Sespa, por meio das suas coordenações, promove campanhas quando o assunto é o alerta para o câncer. Pela Coordenação Estadual de Saúde da Mulher, por exemplo, anualmente é realizada a campanha “Outubro Rosa” para chamar a atenção sobre os cânceres de mama e de útero. 

Além disso, a coordenação incentiva as gestões municipais a investirem mais na oferta do exame preventivo ao câncer do colo de útero (PCCU) e também efetiva a aplicação do Plano Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Colo de Útero e de Mama, criado pelo Ministério da Saúde, que prevê ações de fortalecimento da rede de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama e do câncer de colo de útero, que receberão investimentos de R$ 4,5 bilhões até 2014 – no país inteiro.

Exame ajuda diagnóstico cedo

A vacina que estará disponível na rede pública é a quadrivalente, usada na prevenção contra quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18). Dois deles (16 e 18) respondem por 70% dos casos de câncer. Está prevista ainda a possibilidade de uso da versão nonavalente, que agregará outros cinco sorotipos à vacina.

A imunização será feita em três doses, aplicadas com autorização dos pais ou responsáveis das pré-adolescentes, de acordo com o seguinte esquema: após a aplicação da primeira dose, a segunda deverá ocorrer em dois meses e a terceira, em seis meses a contar da primeira dose.

A vacina para prevenção da doença tem eficácia comprovada para pessoas que ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso, não tiveram nenhum contato com o vírus. 

A escolha do público-alvo levou em consideração evidências científicas, estudos sobre o comportamento sexual e a avaliação de especialistas que atuam no Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) vinculado ao Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde orienta que as mulheres, dos 25 aos 64 anos, façam o exame preventivo, o Papanicolau, a cada três anos. 

Em 2012, foram 11 milhões de exames no SUS, o que representou investimento de R$ 72,6 milhões. Do total, 78% foram na faixa etária prioritária. No Pará, foram realizados 223,7 mil exames no mesmo período ao custo total de R$ 1,4 milhão.

O HPV é capaz de infectar a pele ou as mucosas e possui mais de 100 tipos. Do total, pelo menos 13 têm potencial para causar câncer.

(Diário do Pará)

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